Macbeth

sábado, abril 01, 2017 Iuçara Soares 0 Comentários


Inspirado em uma das maiores obras da literatura clássica mundial escrita pelo renomado autor e dramaturgo britânico William Shakespeare, “Macbeth” ganha mais uma vez às telas do cinema.

"All Hail Macbeth That Shall Be King"
Dirigido pelo cineasta australiano Justin Kurzel (Assassin's Creed) e com roteiro adaptado por Jacob Koskoff, Todd Louiso e Michael Lesslie, o longa-metragem britânico teve sua estreia nos cinemas em outubro de 2015, durante a 85ª edição do Festival de Cannes.

Ato I - A Tragédia 

Na trama, Macbeth (Michael Fassbender) é um general do exército escocês ao lado de seu bom amigo Banquo (Paddy Considine), até que um dia, após uma violenta batalha, ambos encontram em seu caminho três bruxas. Cada uma delas lhes revela uma chocante profecia, que de inicio nenhum dos dois leva a sério.

No entanto, Lady Macbeth (Marion Cotillard) não apenas acredita na profecia como tenta a todo custo persuadir seu marido a cumpri-la. Assim, influenciado por sua esposa e pela sede de poder, Macbeth decide matar o rei Duncan (David Thewlis), e tornar-se o rei da Escócia. O que desencadeia uma série de tragédias, reviravoltas e confrontos no reino, mas em especial, na mente de Macbeth, que luta contra sua própria consciência. 

De herói a vilão, de homem honrado a tirano sádico, consumido pela loucura e pela ambição, o Macbeth de Fassbender é capaz de provocar no público tanto simpatia quanto repulsa, e até mesmo compaixão, que é logo substituída pelo choque de seus crimes e de sua traição. E é em meio a esse turbilhão de emoções, que o filme desperta as mesmas questões morais presentes na obra de Shakespeare, até onde uma pessoa vai por ambição. 

Ato II – A Produção

Não há como negar, que o filme é visualmente impactante, desde os magníficos cenários, filmados na Inglaterra e na Escócia, ao movimento das câmaras, os filtros de cor, os efeitos digitais, as cenas de ação, e até mesmo o belo figurino de Lady Macbeth. O diretor usa e abusa dos simbolismos visuais para contar a história de Macbeth, mas sem deixar de lado o texto, que contém bem poucas alterações do original de Shakespeare.

O que pode dificultar um pouco a compreensão do público, que precisa prestar muita atenção para não se perder em meio a diálogos e monólogos falados no inglês arcaico, comum da época em que o autor escreveu a história. Mas nem por isso, deixa de ser impressionante a forma como os atores declamam o texto de Shakespeare com tamanha desenvoltura.

E por falar em atores, o longa também conta com um ótimo elenco, que inclui Marion Cotillard, que exibe com maestria a dualidade de sua personagem Lady Macbeth, de mulher manipuladora à frágil rainha. Sem falar em Sean Harris (Macduff), Elizabeth Debicki (Lady Macduff) e Jack Reynor (Príncipe Malcolm), além de Seylan Baxter, Lynn Kennedy, Kayla Fallon e Amber Rissmann como as bruxas, e do jovem Lochlann Harris como Fleance, filho de Banquo, entre vários outros.

Ato III - Livro x Filme

Embora inspirado na obra de Shakespeare e com bem poucas alterações em seu texto, o longa-metragem apresenta algumas diferenças em seu enredo, especialmente, no desfecho da história, que parece acabar abruptamente deixando algumas perguntas sem respostas.

Isso talvez ocorra porque, diferente do livro, o longa limita-se apenas a expor a história e os conflitos morais de Macbeth e sua esposa, sem se aprofundar muito nos outros personagens ou dar a devida atenção aos seus destinos, como no caso de Malcolm e Fleance, que desempenham um papel relevante na obra, especialmente no final, mas no filme são relegados a terceiro plano. O que de certa forma enfraquece um pouco o enredo, principalmente para aqueles que leram a história antes de vê-la nos cinemas.

Mas, apesar desse lapso na adaptação do roteiro, em geral, o filme cumpre o que promete, ou seja, reapresentar ao público uma das mais renomadas tragédias shakespearianas, de forma impressionante e cativante. 

Assista ao trailer (legendado):

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