Paul Beatty vence o Man Booker Prize 2016

quarta-feira, março 01, 2017 Iuçara Soares 0 Comentários


O autor americano Paul Beatty foi agraciado com um dos mais prestigiados prêmios da literatura internacional, o Man Booker Prize, pelo seu romance “The Sellout”.

foto: divulgação/AP
Segundo Amanda Foreman, chefe do júri, em uma conferência de imprensa em Londres, o livro “mergulha no coração da sociedade americana contemporânea”. Unânime em sua decisão, o júri do Man Booker Prize citou ainda a abordagem cômica e inventiva do romance ao discutir questões como a identidade racial e a injustiça.

The Sellout

Com 289 páginas, a obra também publicada no Reino Unido pela editora Oneworld em 2016, explora o legado da escravidão e da desigualdade racial e econômica na América, com uma certa dose de humor mordaz, que o autor costuma usar ao abordar temas sérios.

Na história, o personagem principal e também o narrador do romance é um fazendeiro urbano afro-americano, que vive em uma cidade pequena nos subúrbios de Los Angeles. Criado pelo pai, um sociólogo controverso, ele cresceu participando de estudos psicológicos sobre raça, pois foi levado a crer que o trabalho pioneiro do pai resultaria em um livro de memórias que resolveria os problemas financeiros da família. 

No entanto, quando seu pai é morto pela polícia durante uma parada de trânsito, o protagonista descobre que nunca houve um livro de memórias, e assim decide embarcar em um experimento social controverso de sua autoria.

Recrutando a ajuda do residente mais famoso da cidade, o idoso Hominy Jenkins, ele inicia a ação mais ultrajante concebível: restabelecer a escravidão e segregação em uma escola local, que acaba por coloca-lo diante do Supremo Tribunal.

Paul Beatty é conhecido por explorar temas recorrentes, como a psicologia humana, a identidade racial e a incapacidade do ser humano de escapar dos efeitos persistentes da história. O que não foi diferente em “The Sellout”, uma obra que aborda, sob um ponto de vista inusitado, a vida urbana, o movimento dos direitos civis, a igualdade racial e os princípios da Constituição dos Estados Unidos.

“Foi um livro difícil para eu escrever. Eu sei que é difícil de ler”, disse o autor sobre sua obra, em uma cerimônia em Londres. Nos agradecimentos, Beatty disse ainda ter se inspirado no trabalho do psicólogo William Cross, em particular no artigo “The Black to Black Conversion Experience”, publicado em 1971, para escrever o romance.

Sobre o autor e sua obra

Nascido na cidade de Los Angeles, Paul Beatty, foi criado por sua mãe, enfermeira e pintora, ao lado de suas duas irmãs. Ainda jovem começou a escrever poesia, e em 1990 tornou-se o Grand Poetry Slam Champion do Nuyorican Poets Cafe, o que levou ao seu primeiro livro, a coletânea de poesia “Big Bank Take Little Bank” (1991), seguido do livro de poesias “Joker, Joker, Deuce” (1994). 

Mais tarde, em 1996, Beatty decidiu se dedicar a ficção, publicando seu romance de estreia “The White Boy Shuffle” (1996), que recebeu uma crítica positiva do New York Times. Depois disso, ele publicou mais dois romances “Tuff” (1998) e “Slumberland” (2008), além de editar a obra “Hokum: An Anthology of African-American Humor” (2006). Nenhum deles possui tradução no Brasil. 

Atualmente, aos 54 anos, vivendo em New York, o escritor é dono de um mestrado em psicologia da Universidade de Boston e um MFA em escrita criativa do Brooklyn College. Tendo publicado em março de 2015 nos EUA o seu mais recente romance “The Sellout”, que lhe rendeu não apenas o Man Booker Prize em 2016, como também o National Books Critics Circle Award e o John Dos Passos Prize for Literature. 

Sobre o prêmio

Criado em 1968, o Man Booker Prize é concedido anualmente à melhor obra de romance ou ficção escrita em língua inglesa por autores vivos que sejam cidadãos de um país membro da Comunidade Britânica ou da República da Irlanda. Ao ganhador é assegurado grande reconhecimento internacional, além da quantia de 50 mil libras esterlinas (295 mil reais).

Sendo que, em 2014, a competição tornou-se ainda mais acirrada, quando o prêmio também foi aberto a autores de qualquer lugar do mundo, desde que com livros escritos, originalmente, em inglês e publicados no Reino Unido. O que provocou duras críticas daqueles que temiam que o prêmio perdesse sua essência.

Entre os vencedores mais recentes estão à escritora e crítica literária britânica Hilary Mantel (Bring Up the Bodies), a autora neozelandesa Eleanor Catton (The Luminaries), o romancista australiano Richard Flanagan (The Narrow Road to the Deep North), o escritor jamaicano Marlon James (A Brief History of Seven Killings), e, por fim, Paul Beatty, o primeiro autor americano a vencer o Man Booker Prize.

Saiba mais sobre o prêmio no seu site oficial.

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