"Esse é o problema de ter tempo para a criatividade. Seus pensamentos vão mais longe do que você imagina." - Kate Eberlen (O Primeiro Dia do Resto da Nossa Vida)
A cidade luz se torna palco de um dos eventos literários mais importantes da França, o “Livre Paris”, que este ano terá o Marrocos como país convidado.
O Brasil também estará no Salão do Livro, com uma delegação de 30 autores, que participam de uma ampla programação literária, com cerca de 40 atividades, entre sessões de autógrafos, mesas redondas, conferências e leituras. Tudo isso em um estande de 30 m², localizado em frente ao pavilhão de honra do Marrocos, que contará com a presença de 34 escritores representando a indústria editorial marroquina, em um espaço de 450 m², onde serão realizadas conferências, mesas redondas, apresentações artísticas, homenagens e outros eventos sobre os mais diversos temas.
Livre Paris
Em sua 37ª edição, o “Livre Paris”, que acontece até o dia 27 de março no Parque de Exposições de Porte de Versailles, em Paris, continua a evoluir e reinventar sua estratégia editorial com um novo programa, que conta com a participação de inúmeros expositores de 50 países, mais de 800 eventos, e cerca de 3.000 autores, jornalistas, quadrinistas, ilustradores, poetas, atores, assim como diversas personalidades nacionais e internacionais.
Entre os convidados estão a jornalista britânica e autora bestseller, Jojo Moyes (Como eu era antes de você), o autor britânico Philip Kerr (Violetas de Março), o renomado jornalista e autor francês Bernard Pivot, o autor russo Vladimir Fédorovski, o poeta e autor nascido na Tunísia, Hubert Haddad, a premiada escritora canadense Nancy Huston, o autor, ensaísta e jornalista suíço Roland Jaccard, o premiado autor marroquino Tahar Ben Jelloun, e o autor e Presidente da Academia Brasileira de Letras, Domício Proença Filho, que participa da mesa redonda “Machado de Assis: Novas Vozes, Outros Horizontes”, em homenagem ao autor brasileiro.
Também estarão presentes no evento o astrofísico franco-canadense Hubert Reeves, a mangaká japonesa Chie Inudoh, o romancista americano Douglas Kennedy, o premiado autor da Argélia, Yasmina Khadra, a escritora cubana Zoé Valdés, o escritor espanhol Víctor del Árbol. Assim como a premiada autora francesa Delphine de Vigan e o roteirista, diretor e produtor polaco nascido na França, Roman Polanski, responsável por transportar o romance da autora para as telas do cinema.
Programação
Com o objetivo de promover a literatura e a indústria editorial, o Livre Paris é um evento criado, especialmente, para os profissionais do mercado editorial, no qual o público também é bem-vindo.
Sendo que a manhã de segunda-feira, dia 27, entre 9h e 13h, será dedicada, exclusivamente, aos profissionais do mercado do livro, que participam de palestras, seminários, conferências e reuniões de negócios. Logo depois o salão é novamente aberto aos mais de 150 mil amantes do livro.
Assim, durante quatro dias, o evento contará com uma programação cultural variada e dinâmica, que promete agradar a todos os públicos, promovendo debates e bate-papos sobre os mais diversos temas, como o livro, a arte, os quadrinhos, a ciência, a culinária, a política, a música, a poesia, o cinema e a educação.
Uma das novidades desta edição é a exposição “Taniguchi le passeur” (Stand K32), em homenagem ao grande mangaká japonês Jiro Taniguchi (1947-2017), que faleceu em 11 de fevereiro. Diversas personalidades dos quadrinhos também irão prestar homenagem a Taniguchi em uma conferência na sexta-feira, no Salle Connexions.
E por falar em exposições, o evento conta ainda com “L’aventure Rosetta, Aux Origines De La Vie” (Stand A11), na qual o público poderá contemplar toda a magia da extraordinária missão espacial Rosseta, cuja história já foi relatada em um documentário e num belo livro. Tem também a exposição “La Sagesse Des Mythes” (Stand U33), que convida o público à imersão no mundo da “Ilíada” e da “Odisséia”, de heróis e divindades. Assim como a exposição “Jack London, Une Aventure Américaine” (Stand L44), dedicada aos cem anos do escritor e aventureiro, com imagens extraordinárias selecionadas pelo especialista francês Michel Viotte.
Outra novidade é o “Pavillon des Lettres d'Afrique” um novo espaço de 400m² que surge este ano na Livre Paris, como parte de uma iniciativa em parceria com a Aminata Diop Johnson (fundador e diretor do Pavilhão das Cartas Africanas) e a Agência Hopscotch África. Com o tema “Ler e Escrever África”, o espaço, dedicado inteiramente a diversidade e riqueza da criação literária dos países africanos, terá a Nigéria como país convidado.
Espaços
Há também a já tradicional “Praça da Juventude”, um espaço dedicado ao público jovem e infantil, que este ano está cheia de novidades, como um pequeno teatro construído para sediar mostras de animações, concertos e shows, oficinas, apresentações artísticas e encontros com autores e quadrinistas da literatura infanto-juvenil, assim como artistas, booktubers e blogueiros. Viva e alegre, a programação conta ainda com jogos de escrita, batalha de ilustradores, contação de histórias, exposições, e muito outras surpresas.
O Salão do Livro conta ainda com diversas outras áreas temáticas, como a “Cena Literária”, onde autores, professores e personalidades de renome internacional se reúnem para discutir a Literatura em todas as suas formas. Assim como a “Savoir & Connaissances”, praça do conhecimento e desenvolvimento de competências, a “Praça de Culinária”, e o espaço “Ciência Para Todos”.
Sem falar no espaço “Cena Comic”, dedicado inteiramente a nona arte, no qual inúmeros autores e ilustradores se reúnem para refletir sobre a vivacidade e os principais desenvolvimentos dos quadrinhos nos últimos anos. Além da “Praça Religião, Cultura e Sociedade” e da “Agora”, espaço dedicado a discutir os grandes problemas da sociedade contemporânea.
Confira a programação completa no site oficial do evento.
Os fãs de “Harry Potter” já podem comemorar, pois o segundo volume da saga criada pela autora britânica J. K. Rowling retorna, oficialmente, às livrarias em uma belíssima edição ilustrada, lançada pela editora Rocco.
A tão aguardada edição ilustrada de “Harry Potter e a Câmara Secreta” traz o texto integral de J. K. Rowling em 272 páginas com tradução de Lia Wyler, além de um projeto gráfico encantador com as primorosas ilustrações de Jim Kay, artista ganhador da Kate Greenaway Medal. Tudo isso numa edição em capa dura, com sobrecapa, e miolo em papel couché, protegido por uma luva ilustrada.
Na obra, além de rostos familiares como Harry, Hermione, Rony e Hagrid, os leitores poderão ver também o professor Gilderoy Lockhart, o adorado elfo doméstico Dobby, a fabulosa Fênix, e a Murta Que Geme, em traços e cores deslumbrantes. Além de conferir algumas das melhores partes da história em belas imagens, entre elas o Ford Anglia do Sr. Weasley voando, Harry e Rony em seu encontro com Aragog e, é claro, a batalha contra o Basilisco.
O ilustrador britânico Jim Kay, responsável por recriar o universo de Harry Potter em imagens e cores, já está trabalhando no terceiro livro da saga “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, que contará com mais de 115 ilustrações, e está previsto para ser lançado no Reino Unido em outubro de 2017.
Considerado um dos grandes acontecimentos do mercado editorial, o livro, publicado originalmente em outubro de 2016 na Inglaterra e nos Estados Unidos, pelas editoras Bloomsbury e Scholatic, segue o sucesso internacional da edição ilustrada de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.
Saiba mais sobre a obra no site oficial da editora Rocco.
A editora Rocco Jovens Leitores lança, oficialmente, nas livrarias de todo país, “Inesquecível”, o primeiro volume da série criada pela autora americana Jessica Brody.
Com 336 páginas e tradução de Ryta Vinagre, “Unremembered”, título original da obra publicada pela primeira vez em 28 de fevereiro de 2013 nos EUA, conta a história da jovem Violet em um mundo onde a ciência não conhece fronteiras, as memórias são manipuladas, a viagem no tempo é uma realidade e o amor verdadeiro não pode ser esquecido.
A história
Uma garota é encontrada ilesa e sem memória em meio aos
destroços de um acidente aéreo, em pleno oceano Pacífico. Como não parece existir nenhum registro de
sua vida antes do acidente, a jovem passa a ser chamada de Violet pela
equipe do hospital, e logo é encaminhada para um lar adotivo, onde começa a se
adaptar a sua nova realidade.
Determinada a descobrir sua história, Violet conta com a
ajuda relutante de seu novo irmão adotivo, até que um misterioso rapaz surge alegando saber quem ela é e de onde
veio. O que leva os dois a uma alucinante corrida contra o tempo em
busca da verdade, na qual cada pista parece levantar novas questões.
Numa mistura de ficção científica, distopia, suspense, ação e um toque de romance, a série criada por Jessica Brody é composta de três livros, sendo eles “Inesquecível” (2013), “Unforgottern” (2014) e “Unchanged” (2015). Os dois últimos ainda sem previsão de lançamento no país.
Já começou um dos maiores e mais importantes eventos da indústria do livro, a Feira do Livro de Londres, que este ano tem a Polônia como convidada de honra.
O evento, que acontece até o dia 16 de abril no Centro de Convenções Olympia, em West London, contará com mais de 1.500 empresas de 60 países, expondo seus livros, participando de cerca de 220 eventos e realizando negócios nas áreas de direitos autorais, vendas e distribuição de conteúdo através de impressão, áudio, TV, cinema e canais digitais.
Programação
Em sua 46ª edição, a feira do livro irá reunir inúmeros profissionais da indústria editorial de diversas partes do mundo, entre eles escritores, poetas, ilustradores e designers gráficos, bibliotecários, editores, livreiros, agentes literários, jornalistas, entre muitos outros.
Tudo isso, em espaços como o “Author HQ”, projetado para fornecer conhecimento e ferramentas a escritores que precisam tomar decisões em relação à publicação de seu trabalho, e o “PEN Literary Salon”, no qual são discutidas questões mais sensíveis como a censura e a liberdade de expressão.
Há ainda os tradicionais “Literary Translation Centre”, dedicado à tradução, o “The Poetry Pavilion”, dedicado à poesia, o “The Children’s Hub”, dedicado à literatura infantil e juvenil, e o “Illustrator”, que dá aos ilustradores a oportunidade de expor seus trabalhos como parte de uma galeria de exposição coletiva. Sem falar na 3ª edição do “Literary Festival Forum”.
Novidades
Nesta edição, a London Book Fair irá prestar uma homenagem especial à Polônia, lançando o programa “Poland Market Focus”, realizado em parceria com o British Council e o Polish Book Institute. O programa, que ocorre no “Polish Pavilion”, levará a feira uma delegação de renomados autores e ilustradores para representar a diversidade da literatura polonesa contemporânea. Entre eles estarão o jornalista, editor e autor Zygmunt Miłoszewski, o romancista e poeta Jacek Dehnel, a poeta e autora Wioletta Greg, e muitos outros.
Sendo que, a feira do livro também irá realizar o “Spotlight on India”, uma série de eventos especiais para celebrar a vibrante cultura e história do país, como parte da iniciativa “India Year of Culture 2017” do British Council, que levará aos quatro pavilhões da feira uma delegação de renomados autores e cerca de 40 expositores.
Autor do Dia
A Feira também contará com diversos eventos abertos ao público em geral, como o tradicional “Author of the Day” (Autor do Dia), que apresenta um autor convidado a cada dia da feira, na qual participam de seminários, sessões de autógrafos e bate-papos, além de posar para fotos com os fãs.
Entre os convidados deste ano, estará o escritor, dramaturgo e roteirista irlandês, Roddy Doyle, autor de onze aclamados romances, entre eles “Paddy Clarke Ha Ha Ha”, livro que lhe rendeu o Man Booker Prize de 1993. Há ainda a autora polonesa Olga Tokarczuk, cujos romances já foram traduzidos para 29 idiomas, e venderam inúmeras cópias em todo o mundo. Adorada pelos leitores e elogiada pelos críticos e estudiosos da literatura, ela escreveu nove romances, várias coleções de contos e ensaios, além de ter ganhado diversos prêmios.
Já no último dia do evento, tradicionalmente dedicado a um autor infanto-juvenil, será a vez do premiado escritor britânico Michael Morpurgo, autor de mais de 140 livros como “The Butterfly Lion” (1996) e “An Elephant in the Garden” (2010). Além do bestseller “Cavalo de Guerra” (1982), adaptado para os cinemas em 2011, e indicado ao Oscar 2012 de Melhor Filme.
A London Book Fair contará ainda com a presença do autor bestseller polonês Andrzej Sapkowski, aclamado pela série de fantasia “The Witcher”, que inspirou a famosa franquia de vídeo games. Além da premiada escritora escocesa de romances policiais Val McDermid (The Mermaids Singing) e da autora irlandesa de literatura YA, Sarah Crossan (One). Assim como da escritora e colunista turca Elif Şafak, do poeta zambiano Kayo Chingonyi, do editor, tradutor e autor britânico Daniel Hahn, da autora e ilustradora da Estônia, Piret Raud, do poeta indiano Mohan Rana, do escritor russo Alexey Ivanov, entre muitos outros convidados.
O autor americano Paul Beatty foi agraciado com um dos mais prestigiados prêmios da literatura internacional, o Man Booker Prize, pelo seu romance “The Sellout”.
foto: divulgação/AP
Segundo Amanda Foreman, chefe do júri, em uma conferência de imprensa em Londres, o livro “mergulha no coração da sociedade americana contemporânea”. Unânime em sua decisão, o júri do Man Booker Prize citou ainda a abordagem cômica e inventiva do romance ao discutir questões como a identidade racial e a injustiça.
The Sellout
Com 289 páginas, a obra também publicada no Reino Unido pela editora Oneworld em 2016, explora o legado da escravidão e da desigualdade racial e econômica na América, com uma certa dose de humor mordaz, que o autor costuma usar ao abordar temas sérios. No Brasil, o livro está previsto para ser lançado em 2017 pela editora Todavia, com o título "O Vendido".
Na história, o personagem principal e também o narrador do romance é um fazendeiro urbano
afro-americano, que vive em uma cidade pequena nos subúrbios de Los Angeles.Criado
pelo pai, um sociólogo controverso, ele cresceu participando de estudos
psicológicos sobre raça, pois foi levado a crer que o trabalho pioneiro do pai
resultaria em um livro de memórias que resolveria os problemas financeiros da
família.
No
entanto, quando seu pai é morto pela polícia durante uma parada de trânsito, o
protagonista descobre que nunca houve um livro de memórias, e assim decide
embarcar em um experimento social controverso de sua autoria.
Recrutando
a ajuda do residente mais famoso da cidade, o idoso Hominy Jenkins, ele inicia
a ação mais ultrajante concebível: restabelecer a escravidão e segregação em
uma escola local, que acaba por coloca-lo diante do Supremo Tribunal.
Paul Beatty é conhecido por explorar temas recorrentes, como a psicologia humana, a identidade racial e a incapacidade do ser humano de escapar dos efeitos persistentes da história. O que não foi diferente em “The Sellout”, uma obra que aborda, sob um ponto de vista inusitado, a vida urbana, o movimento dos direitos civis, a igualdade racial e os princípios da Constituição dos Estados Unidos.
“Foi um livro difícil para eu escrever. Eu sei que é difícil de ler”, disse o autor sobre sua obra, em uma cerimônia em Londres. Nos agradecimentos, Beatty disse ainda ter se inspirado no trabalho do psicólogo William Cross, em particular no artigo “The Black to Black Conversion Experience”, publicado em 1971, para escrever o romance.
Sobre o autor e sua obra
Nascido na cidade de Los Angeles, Paul Beatty, foi criado por sua mãe, enfermeira e pintora, ao lado de suas duas irmãs. Ainda jovem começou a escrever poesia, e em 1990 tornou-se o Grand Poetry Slam Champion do Nuyorican Poets Cafe, o que levou ao seu primeiro livro, a coletânea de poesia “Big Bank Take Little Bank” (1991), seguido do livro de poesias “Joker, Joker, Deuce” (1994).
Mais tarde, em 1996, Beatty decidiu se dedicar a ficção, publicando seu romance de estreia “The White Boy Shuffle” (1996), que recebeu uma crítica positiva do New York Times. Depois disso, ele publicou mais dois romances “Tuff” (1998) e “Slumberland” (2008), além de editar a obra “Hokum: An Anthology of African-American Humor” (2006). Nenhum deles possui tradução no Brasil.
Atualmente, aos 54 anos, vivendo em New York, o escritor é dono de um mestrado em psicologia da Universidade de Boston e um MFA em escrita criativa do Brooklyn College. Tendo publicado em março de 2015 nos EUA o seu mais recente romance “The Sellout”, que lhe rendeu não apenas o Man Booker Prize em 2016, como também o National Books Critics Circle Award e o John Dos Passos Prize for Literature.
Sobre o prêmio
Criado em 1968, o Man Booker Prize é concedido anualmente à melhor obra de romance ou ficção escrita em língua inglesa por autores vivos que sejam cidadãos de um país membro da Comunidade Britânica ou da República da Irlanda. Ao ganhador é assegurado grande reconhecimento internacional, além da quantia de 50 mil libras esterlinas (295 mil reais).
Sendo que, em 2014, a competição tornou-se ainda mais acirrada, quando o prêmio também foi aberto a autores de qualquer lugar do mundo, desde que com livros escritos, originalmente, em inglês e publicados no Reino Unido. O que provocou duras críticas daqueles que temiam que o prêmio perdesse sua essência.
Entre os vencedores mais recentes estão à escritora e crítica literária britânica Hilary Mantel (Bring Up the Bodies), a autora neozelandesa Eleanor Catton (The Luminaries), o romancista australiano Richard Flanagan (The Narrow Road to the Deep North), o escritor jamaicano Marlon James (A Brief History of Seven Killings), e, por fim, Paul Beatty, o primeiro autor americano a vencer o Man Booker Prize.
É chegado o momento de conhecermos os melhores filmes do ano, que conquistaram seu lugar na maior e mais importante premiação do cinema internacional, o Oscar. Entre eles estão às grandes adaptações de obras literárias para o cinema, consideradas campeãs de bilheteria.
Em sua 89ª edição, a premiação deste ano contou com cinco filmes baseados em livros concorrendo na categoria de Melhor Filme. Sendo que quatro deles também concorreram à categoria de Melhor Roteiro Adaptado, criada especialmente para os longas-metragens baseados tanto em livros, quanto em peças de teatro, musicais e até mesmo em parques de diversões, como o filme “Piratas do Caribe”.
Os Indicados
Assim, os roteiros adaptados partem de histórias que tem uma maior aceitação em outras mídias, embora não sejam sempre baseadas em um livro. Como é o caso do filme “Um Limite Entre Nós” (Fences) que, embora não seja baseado em um livro, também concorreu à categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
Isso devido ao fato de que o roteiro foi inspirado na aclamada e premiada peça teatral homônima, de 1983, escrita por August Wilson, e ganhadora do Pulitzer e do Tony Awards. Dirigido e estrelado por Denzel Washington, o filme indicado a quatro Oscars, incluindo o de Melhor Filme, venceu na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Viola Davis).
No entanto, também há casos de filmes baseados em livros que não concorrem à categoria, como o longa-metragem “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge), que embora baseado no romance homônimo escrito por Jeff Shaara não foi indicado à categoria de Melhor Roteiro Adaptado. Isso, talvez, devido ao fato de tanto o roteiro do filme quanto o livro terem sido inspirados na história real de Desmond T. Doss, o primeiro objetor de consciência militar na história dos EUA a receber a Medalha de Honra do Congresso.
Dirigido por Mel Gibson, e com roteiro de Randall Wallace e Robert Schenkkan, o filme recebeu 5 indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (Andrew Garfield). Tendo levado para casa duas estatuetas, a de Melhor Montagem e Melhor Mixagem de Som.
Das páginas dos livros para as telas do cinema, temos o filme “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures), baseado no livro biográfico escrito por Margot Lee Shetterly, que conta a história do grupo de três mulheres afro-americanas da NASA que foram parte fundamental para a trajetória dos Estados Unidos na corrida espacial durante os anos 60.
Dirigido pelo cineasta e roteirista Theodore Melfi, o filme, estrelado por Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst e Jim Parsons, recebeu três indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado, escrito por Allison Schroeder e Theodore Melfi.
Dirigido pelo premiado cineasta Denis Villeneuve, com roteiro adaptado por Eric Heisserer e estrelado por Amy Adams, Jeremy Renner e Forest Whitaker, “A Chegada” (Arrival) é inspirado no livro “História da sua vida e outros contos” de Ted Chiang. O filme recebeu 8 indicações ao Oscar deste ano, incluindo a de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme, levando para casa a estatueta de Melhor Edição de Som.
O longa-metragem “Lion: Uma Jornada para Casa” (Lion) recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme, assim como a de Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel), Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora. Dirigido por Garth Davis, com roteiro adaptado por Luke Davis, o filme é inspirado no livro autobiográfico “Uma longa jornada para casa” de Saroo Brierley, que conta a história de um menino indiano de cinco anos que se perde de sua família a milhares de quilômetros longe de casa.
E o Oscar foi para... “Moonlight”!
Dirigido e escrito por Barry Jenkins, o longa-metragem, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático, conquistou o Oscar deste ano nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali). Além de ter sido o grande vencedor da noite, sendo premiado como Melhor Filme, depois de uma pequena confusão que levou Warren Beatty e Faye Dunaway a anunciarem o filme errado.
Com 8 indicações ao Oscar, “Moonlight: Sob a Luz do Luar” é baseado na obra “Moonlight” do escritor Tarell Alvin McCraney, que narra a história de Black, desde a infância até a idade adulta, em sua emocionante jornada de autoconhecimento, para encontrar o seu lugar no mundo.
Mais Adaptações
Vários outros filmes baseados em obras literárias também concorreram ao Oscar 2017, em diversas categorias, como o longa “Mogli: O Menino Lobo” (The Jungle Book), inspirado na obra de Rudyard Kipling, que contra todas as apostas levou para casa a estatueta de Melhores Efeitos Visuais, desbancando os sucessos de bilheteria “Doutor Estranho” e “Rouge One”.
Há ainda “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (Fantastic Beasts and Where to Find Them), o primeiro longa da franquia Harry Potter a ganhar um Oscar. Dirigido por David Yates e com roteiro adaptado pela autora J. K. Rowling, criadora da famosa saga literária, o filme recebeu duas indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Design de Produção, tendo levado para casa a estatueta de Melhor Figurino (Colleen Atwood).
Já na categoria de Melhor Documentário em Longa-Metragem concorreram os longas “Eu Não Sou Seu Negro” (I Am Not Your Negro), baseado no manuscrito inacabado “Remember This House” do escritor James Baldwin. Assim como “Life, Animated”, baseado no livro “Life, Animated: A Story of Sidekicks, Heroes, and Autism” de Ron Suskind. Enquanto que na categoria de Melhor Fotografia concorreu o filme “Silêncio” (Silence), dirigido por Martin Scorsese e baseado no romance do escritor japonês Shusaku Endo (1923-1996).
Também concorreram ao Oscar os filmes “Sully: O Herói do Rio Hudson”, inspirado na biografia homônima de Chesley “Sully” Sullenberger e Jeffrey Zaslow. Além de “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”, baseado no livro homônimo escrito por Mitchell Zuckoff, e o longa sueco “A Man Called Ove” baseado na obra homônima do autor Fredrik Backman. Assim como o filme “Animais Noturnos” (Nocturnal Animals), inspirado no livro “Tony & Susan” de Austin Wright.
Sem falar no sucesso de bilheteria “Rogue One: Uma História Star Wars”, que inspirou uma série de livros escrita por diversos autores. O filme concorreu às categorias de Melhor Mixagem de Som e de Melhores Efeitos Visuais. Outro longa que inspirou uma série de livros é “Star Trek: Sem Fronteiras”, que foi indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo, mas para a surpresa de todos quem levou a estatueta para casa foi “Esquadrão Suicida”.
Assim, em meio a discursos emocionados, homenagens comoventes, incríveis performances musicais, belíssimas apresentações e uma certa confusão aqui e ali, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas reservou inúmeras surpresas para o público, algumas boas, outras nem tanto, mas todas memoráveis, como Michael J. Fox entrando no palco com o DeLorean.
Confira a lista completa dos indicados e vencedores do Oscar 2017 no site Omelete.