Sem pressa, sem metas ambiciosas e sem a pressão de "precisar ler mais", comecei a sair lentamente da ressaca literária que vinha me acompanhando desde fevereiro. E talvez tenha sido justamente essa abordagem mais leve que tornou o mês de maio tão especial. 
 


A ressaca literária costuma ser traiçoeira. Muitas vezes ela não significa falta de interesse pelos livros, mas sim dificuldade na escolha de uma leitura. Em maio, deixei de lado a pressão e permiti que a curiosidade guiasse minhas escolhas entre os livros que estavam aguardando sua vez há muito tempo na minha lista de leitura. Isso me levou a explorar diferentes gêneros e estilos, alternando entre mundos fantásticos, reflexões da não-ficção, especulações da ficção científica e a sensibilidade da poesia.

Ao longo do mês, concluí seis livros e completei duas categorias do r/Fantasy Bingo Challenge, um pequeno avanço que trouxe uma boa dose de motivação. Também tive a satisfação de finalmente tirar um livro da minha estante física, e fazer algum progresso no meu projeto Zero TBR. Mas embora tenha conseguido resistir aos lançamentos do mês acabei adquirindo um livro novo durante a Book Friday da Amazon: justamente o volume que faltava para completar minha coleção das Crônicas das Guerras de Lodoss. 

No blog, o ritmo foi mais moderado, com a publicação de apenas três matérias, um número menor do que em meses mais produtivos. Ainda assim, prefiro enxergar isso como reflexo de uma mudança de foco temporária. Em vez de dedicar a maior parte do tempo à escrita, consegui reservar mais espaço para a leitura, algo que vinha sentindo falta nos últimos meses.

Sem mais demora, vamos as leituras!

Comecei o mês do orgulho nerd dando largada a minha missão de um ano explorando novos mundos e descobrindo novos autores completando o primeiro desafio do r/Fantasy Bingo 2026, com a ficção cientifica O Salmo para um Robô Peregrino de Becky Chambers. Vencedor dos prêmios Hugo e Nebula de melhor novela, o primeiro volume da duologia cozy sci-fi Monge e o Robô, apresenta uma história contemplativa, interessante, porém um pouco lenta, sobre a consciência humana e o mundo natural.

Não foi bem uma leitura cinco estrelas, mas foi o suficiente para despertar o meu interesse pelo  gênero cozy sci-fi, o que me levou a ler mais uma novela vencedora dos prêmios Hugo, Nebula e Locus para completar o segundo desafio do r/Fantasy Bingo 2026. É assim que se perde a Guerra do Tempo de Amal El-Mohtar e Max Gladstone apresenta uma história que mistura viagem no tempo, espionagem e romance em uma narrativa epistolar quase lírica, porém sem um final conclusivo.

Em seguida, finalmente, conclui a leitura de um livro que já estava a muito tempo acumulando poeira na minha estante, Neve & Cinzas de Sarah Raasch. O primeiro volume da trilogia apresenta uma típica fantasia jovem adulta que, embora repleta de clichês do gênero, como triângulos amoroso, reinos destruídos, magia e o “a escolhida”, conta com uma construção de mundo original e criativa e um bom desenvolvimento de personagens.

Deixando a ficção científica e a fantasia de lado decidi mergulhar na poesia lendo a coletânea em inglês, A Thousand Mornings de Mary Oliver. Com uma narrativa lirica e atmosférica, a autora compartilha a maravilha do amanhecer, a graça dos animais e o poder transformador da atenção, explorando os mistérios da natureza e os detalhes da vida cotidiana.

Logo depois li a coletânea de ensaios Por que escrevo do renomado autor Oscar Wilde, que discuti em poucas páginas, o poder dos livros e da leitura, a importância da escrita, e o papel que a literatura exerce tanto na formação política do indivíduo quanto em sua forma de enxergar o mundo. 

Terminei o mês lendo o mistério Oito Detetives, o livro de estreia do autor Alex Pavesi, um quebra-cabeça literário ideal para os fãs de mistérios clássicos com personagens complexos, inúmeras pistas, jogos mentais e reviravoltas chocantes, porém com um final anticlimático.

Resumindo, Maio não foi um mês de recordes, metas ousadas ou grandes maratonas literárias. Foi um mês de reencontro com a leitura. Ler seis livros de gêneros tão diferentes, avançar no r/Fantasy, reduzir a fila de livros parados na estante e completar uma coleção importante foram conquistas que tornaram o período especialmente gratificante. Mais do que números, elas representam a sensação de que a ressaca literária está ficando para trás. Se junho mantiver esse mesmo equilíbrio entre curiosidade, diversidade e prazer de leitura, já será um excelente mês.

Mas, como foi o seu mês? Você leu algum livro interessante ou também está lutando contra a ressaca literária? Eu adoraria ouvir mais sobre isso nos comentários!