Muito barulho por nada

domingo, janeiro 29, 2012 Iuçara Soares 0 Comentários


Príncipes, donzelas, romance, intrigas e duelos, assim é “Muito barulho por nada”, uma obra do poeta, dramaturgo e escritor, William Shakespeare.

Considerado um dos mais prestigiados autores, Shakespeare criou inúmeras histórias e personagens que divertiram e comoveram uma época.


Embora tenha escrito comoventes e sombrias histórias de amor e ódio, Shakespeare se mostrou igualmente hábil para escrever divertidas e envolventes comédias românticas, como “Sonho de uma noite de verão” e, é claro, “Muito barulho por nada”.

A obra
 
Inspirado em peças italianas, segundo estudiosos, ‘Much Ado About Nothing’, como é pronunciado no original foi escrito em meados de 1590, sendo considerado um dos textos mais hilariantes de Shakespeare.

Agora, sem mais rodeios, vamos à história, que tem como palco a cidade de Messina, na Sicília, local onde dois homens descobrem ser mais fácil conseguir vitórias na guerra do que no amor.


Dom Pedro, o príncipe de Aragão juntamente com seu meio irmão Dom John e seus nobres amigos Claudio e Benedick regressam da guerra para a pequena vila de Messina. Cidade na qual Claudio se apaixona por Hero, a jovem e doce filha do nobre Leonato, que recebe o príncipe e seus companheiros.   

Enquanto isso, Beatrice, a sobrinha espirituosa de Leonato, e Benedick estão sempre trocando farpas, declarando o seu ódio mutuo e criticando o casamento. No entanto, por meio de intrigas e mal-entendidos, D. João trama para sabotar a união de Cláudio e Hero.

Entre tapas e beijos

Embora a história gire em torno do casal Hero e Cláudio, são Benedick e Beatrice que roubam a cena com seus duelos de palavras afiadas como espadas sempre prontas para batalha. É impressionante, como um sempre tem a resposta na ponta da língua para se defender de uma ofensa.

Beatrice defendendo seu orgulho de donzela, se negando a acreditar em qualquer promessa que venha de um homem, pois os considera tão indignos de confiança, quanto dela. E sem dúvida não esta disposta a se resignar a vontade de qualquer homem, dizendo simplesmente “sim, meu senhor, como desejar”.


Isso só poderá acontecer depois que Deus fizer os homens com outra substância que não a terra. Pois não constituirá ofensa para uma mulher ver-se dominada por um bloco de poeira insolente? Não, tio; não desejo marido. Todos os filhos de Adão são meus irmãos; considero pecado casar-me com parentes”, retruca Beatrice.

Já o nobre Sr. Benedick se orgulha de ser um solteirão, recusando-se a se quer pensar na possibilidade de se casar, ou até mesmo de se apaixonar. Um típico conquistador.

Por ter sido eu concebido por uma mulher lhe assegura os meus agradecimentos; o fato de me ter ela criado, me deixa, igualmente, reconhecido; mas vir eu a ter na fronte uma buzina de chamar cães ou a pendurar meu corno em um boldrié invisível, é o que todas as mulheres me perdoarão. Por não querer fazer-lhes a injustiça de desconfiar de alguma delas, reservo-me o direito de não confiar em nenhuma. A conclusão - que só redundará em proveito para mim - é que desejo continuar solteiro”, diz Benedick.

Mesmo se dando conta dos seus sentimentos um pelo outro ainda assim relutam em se confessar, quase como se fosse uma declaração de derrota, mas acabam por perceber que o amor apenas os colocou em um empate, pois a teimosia e o orgulho foram as falhas que os tornaram tão perfeitos um para o outro. Nas palavras de Benedick “somos demasiadamente sábios para nos declararmos pacificamente”.

É na sagacidade das falas de Benedick e Beatrice que reside o lado cômico da história. Seus diálogos são sempre rápidos e envolventes. Além disso, é fato que os textos de Shakespeare utilizam o dialeto típico da época em que foram escritos, no século XIII.

O que torna fácil para o leitor se perder entre uma cena e outra, tanto ao ler quanto ao assistir uma peça do autor. Curiosamente, esse é também um dos motivos do charme e popularidade das obras de Shakespeare.

Vilões e suas intrigas

A trama se complica com a intriga criada por D. John, irmão bastardo do príncipe, e seus comparsas. Afinal, o que seria de um bom romance sem uma intriga básica para apimentar as coisas.

No entanto, D. John não é um vilão como outro qualquer, de fato nas suas poucas palavras percebe-se que existe uma história por trás de seus atos, algo mais profundo e triste em seu passado. Mas o próprio autor parece não querer se aprofundar muito no personagem, deixando assim que este cumpra seu simples papel como vilão, o de ser desdenhado por todos.

Acomoda-se melhor com meu sangue ser desprezado por todos do que conformar os meus atos de modo que roubem a afeição de quem quer que seja. A esse respeito, se não se pode dizer que eu sou um adulador honesto, não se me negará o título de vilão sincero”, assim se descreve Dom John.


Hero & Cláudio

Depois de humilhada e ofendida no dia de seu casamento por Cláudio e o Príncipe, Hero decide fazer com que todos acreditem que se matou até que sua inocência seja provada, pois na época em questão, tal humilhação só poderia ser apagada com a morte.

O que acabou sendo uma forma de vingança para a donzela e sua família, pois ao se dar conta do engano que cometeram Cláudio e o Príncipe, não apenas sofrem com o arrependimento por ter humilhado e difamado uma donzela inocente, mas como também com a terrível culpa de ter provocado a sua morte.

Assim, consumido pelo arrependimento, Cláudio vai a público como uma demonstração de amor limpando a honra de Hero diante de seu túmulo. Apenas assim ele se torna mais uma vez digno de ter sua mão em casamento.

Por fim, tudo acaba bem, em festa, dança e casamentos. Como teria sido desde o inicio se todos não tivessem causado tanto tumulto apenas por puro orgulho. Como diria Shakespeare, muito barulho por nada.

Assista ao trailer do filme baseado na obra (em inglês):


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